Algumas histórias de amor precisam que os astros se alinhem para acontecer. Outras acontecem independentemente das circunstâncias. A nossa é do segundo tipo.
Há 12 anos (precisamente 12 anos e 8 meses), em um evento escolar, os pombinhos se conheceram. Ela representava a imprensa, anotando tudo o que era importante. Ele um país sul-americano em uma reunião sobre o Conselho de Segurança — nada que merecesse uma anotação. Mesmo assim, conseguiu uma entrevista, voltou orgulhoso e contou aos amigos que, no dia seguinte, estaria em todas as páginas do jornal. Contudo, na publicação matinal, como deveria ser, nada se falou sobre o Uruguai.
Mesmo sem manchete ou sequer uma nota de rodapé, o que precisava acontecer aconteceu: o início de uma uma história de amor que começou com mensagens cheias de indiretas e que se desenrolou em um primeiro encontro. E, desde então, não se separaram mais. Vieram os passeios, as idas ao cinema, as apresentações para amigos e família, os encontros depois da aula e, sem perceber, um sentimento diferente começou a crescer.
Como em um bom romance adolescente, nas férias os dois corações apaixonados foram separados por muitos quilômetros e alguns fusos horários. Mas o sorriso bobo que surgia cada vez que pegavam o celular não deixava dúvidas. E assim nasceu uma certeza: existia uma chama que merecia ser alimentada.
Foi então que ele criou um plano, inspirado justamente naquilo que havia despertado uma das primeiras conexões entre eles (a Disney). Em uma festa cuja verdadeira intenção só uma pessoa desconhecia, veio o pedido de namoro. Lá estavam eles, Peter Pan e Sininho, assumindo a responsabilidade de construir um caminho juntos. Esse poderia ter sido o final da história. O começo do tradicional "felizes para sempre". Mas a verdade é que o amor se constrói muito mais nos capítulos seguintes.
Foram anos aprendendo juntos o que era amar, comemorando as vitórias um do outro e criando memórias que só fazem sentido naquele universo particular. As aventuras que vieram pela frente ajudaram a compreender a verdadeira complexidade da palavra saudade. Foram viagens, intercâmbios e compromissos; momentos que, por mais necessários que fossem, muitas vezes pareceram eternidades. Ainda assim, em cada ocasião, decidiram que a distância física não se tornaria um obstáculo. E fizeram o mesmo diante de todas as dificuldades que apareceram pelo caminho: nunca deixaram de se escolher e de se apoiar.
Com o passar do tempo, tudo foi encontrando seu lugar. Raízes foram firmadas, formações concluídas e qualquer resistência que pudesse existir finalmente se dissipou. Nas pequenas coisas do cotidiano, a maturidade abriu espaço para as delícias de um amor tranquilo: as conversas sobre o futuro, as certezas compartilhadas e os gestos que só faziam sentido para os dois.
Assim, ao longo de 12 meses, com todo o tempo que agora dispunham, a história se escreveu através de cartas de amor finalizando com um pedido, para que esse compromisso, já a alguns anos iniciado, se tornasse eterno. (E claro, ela disse sim!)
Algumas histórias são feitas para existir e resistir, independentemente das circunstâncias. A nossa atravessou distâncias, mudanças, desafios e o tempo. Cresceu junto com quem éramos e permaneceu firme enquanto nos tornávamos quem somos.
A reportagem nunca foi publicada. Mas a notícia mais importante daquele dia continua sendo escrita até hoje.
E agora, convidamos todos vocês para testemunhar o início de um novo capítulo. Não porque nossa história está começando, mas porque, depois de quase 12 anos escolhendo um ao outro todos os dias, chegou a hora de fazer essa escolha diante de todos.
Vamos nos casar!